E aí pessoal, mais um dia em que a progressão atua, esta força que nos empurra pra cima opera sempre de maneira discreta e as vezes curiosa, mas nos revelando o que até bem pouco não sabíamos. Hoje, falarei de como percebo o processo de construção do sofrimento. É Preciso entender que todos nós buscamos incessantemente a felicidade, esta é nossa preocupação básica. Lutamos diariamente para a obtenção de recursos que possam trazer conforto, saúde, uma melhor condição financeira para nossa família, enfim tudo que possa construir segurança e possibilitar uma existência feliz.
Mas porque seguimos convivendo com o sofrimento e consequentemente experimentando a infelicidade mesmo quando atingimos nossas metas que em tese acabariam com este sofrimento? Porque estamos presos à uma estrutura onde a relação e funcionamento de seus elementos são impermanentes. Vejamos um exemplo. Quando a preocupação de alguém é com a sua saúde, de seu esposo ou esposa e de seus filhos, ele pode batalhar muito para conseguir um emprego que tenha um bom plano de saúde. Realizado este feito, há a experimentação de uma felicidade relativa, afinal estão todos cobertos pelo tão desejado plano, mas é inegável que há o surgimento de outro tipo de sofrimento. Pode ser a crescente insatisfação por esta pessoa não estar fazendo o que gosta no novo emprego, ou uma preocupação constante com a possibilidade de vir a perder este emprego. Isto é o resultado da impermanência. Da mesma forma, quando conseguimos comprar o tão sonhado carro zero, no momento em que vamos tirar o carro da loja, se inicia uma série de aborrecimentos que não damos importância naquela hora, pois estamos vivenciando uma onda de euforia. Temos que providenciar a transferência do bem para o nosso nome, é preciso providenciar o seguro para o automóvel, passaremos a ter uma despesa extra e além disso começaremos a sofrer pelo apego que começamos a desenvolver pelo novo carro. Assim ficamos todo o tempo preocupados em evitar danos ao nosso patrimônio e quando acontece o primeiro arranhão na lataria é como se a doçura da aquisição cedesse lugar ao fel da constatação que nos tira a alegria: nosso carro está se deteriorando! Isto é impermanência, isto causa sofrimento. A simples desconfiança de que um dia iremos nos separar dos objetos ou pessoas que nos alegram é já um tipo de sofrimento.
A reação que tomamos face à este fenômeno, se constitui na constante luta por novas aquisições, novos carros, casas, viajens, roupas novas, livros, cd´s, móveis, plásticas, namorados, namoradas, em um processo cíclico e interminável de alegrias e tristezas se manifestando como o percurso de uma montanha russa, agora lá em cima e daqui a pouco lá em baixo. E o que é pior, geralmento experienciamos longos períodos de sofrimentos decorrentes de atos que nos deram alguns momentos de euforia. Esta estrutura é chamado pelos Budistas de Samsara, um ciclo de renascimento e morte ao qual permanecemos presos pelo apego, pela não sabedoria e por vivermos afastados de nossa verdadeira natureza. A boa notícia é que podemos romper gradualmente nossa ligação com o Samsara, ou roda da vida, através de uma postura diferente frente a vida, o que Buda chamou de nobre caminho óctuplo. Só que isso é assunto para novos textos. Um abração a todos, e quem quiser ajuda, entre em contato através do blog ou diretamente para meu e-mail ok?
Nenhum comentário:
Postar um comentário